De modo surpreendente, “Wolfen” não é tão acidentado como poderíamos esperar que fosse um filme com uma pós-produção caótica que esteve prestes a ser considerado um projecto abandonado. É certo que “Wolfen” apresenta uns quantos defeitos (entre esses um romance pouco credível e um ritmo com demasiadas quebras), mas consegue compensar cada um desses com um festival de “Nova Iorque gótica”, que será uma verdadeira delícia para aficionados de filmes como “Rosemary’s Baby”, “Taxi Driver” ou “Ms. 45”. À partida o aspecto cheap desta acidentada produção da Orion poderia empurrá-la para o lugar de parente pobre dessa tal linhagem gótica, contudo o que acontece é precisamente o inverso: “Wolfen” transforma o que tem de mais rasca e sensacionalista em qualidades altamente favoráveis à sua atmosfera de Nova Iorque carregada de cinzento e amaldiçoada por algo invisível. A restante dignificação deve-se naturalmente à grandeza de Albert Finney, que, no seu desempenho de investigador, prefere frisar a complexidade psicológica do seu personagem em vez da mais previsível faceta heróica do tipo que acabará por resolver as coisas. “Wolfen” merece também pontos extra por ter sido o primeiro filme a utilizar a visão térmica na pespectiva da criatura. Tem, além disso, uma série de sequências fascinantes que merecem ser aproveitadas, se possível na madrugada da televisão (onde este filme encaixaria perfeitamente).