Não deve ser fácil, em 1975, reavivar os elementos da melhor colheita do noir (que, por mim, situaria, com larga margem, entre 47 e 57), mas “The Drowning Pool” fá-lo de um modo glorioso. Aqui Paul Newman volta a ser o detective privado Harper (antes assumido no filme homónimo de 66) e desta vez a intriga desloca-o da Califórnia para o sul profundo do Louisiana, onde acaba por se ver numa grande bronca. Paul Newman não podia ser mais eficaz e convincente no papel de um detective que mantém inabalável a sua coolness, mesmo quando se encontra nas piores situações. Lew Harper, no fundo, não quer mais que sossego e dizer umas larachas enquanto bebe um copo. O mundo é que nem sempre aceita conceder-lhe esse simples direito.
Algo de muito semelhante acontecia em “The Long Goobye”, (1973), nas mãos de outro realizador (Robert Altman), que entendia o efeito cómico irresistível existente no retardar da cedência de paz e descanso à figura principal de um filme. Veja-se também como “The Big Lebowski” conquistou aos poucos os seus fanáticos anos mais tarde. Tem bastante graça ver um dude constantemente privado do seu tempo de descanso (essencial para recarregar a dudeness) ao deparar-se com os mais estranhos obstáculos. O Harper de Paul Newman veste-se demasiado bem para ser um dude, mas partilha da mesma espiritualidade (talvez seja um proto-dude). Newman consegue, além disso, ter a postura despachada e frontal de um Sterling Hayden ou de um Robert Montgomery em frases curtíssimas pronunciadas num tom inevitavelmente engraçado. “The Drowning Pool” é de facto tão divertido e autossuficiente que pode muito bem ser apreciado sem que se tenha visto o filme que o precede.