Rope and Skin (1979)

Pink eiga da Nikkatsu consegue misturar acção, sadomasoquismo e artes-marciais num só bolo coeso. Merece ser visto nem que seja como prova de que esses três elementos podem muito bem coexistir. A certa altura a intriga feita de dignidade e honras violadas chega a ser tão imperceptível que apetece parar o filme para ler a sinopse e voltar mais esclarecido. O certo é que enquanto Naomi Tani está em cena, no papel de Red Cherry (que bela tatuagem yakuza no ombro), mantém-se o feitiço provocado por um personagem feminino fortíssimo (como costumam ser os da Nikkatsu). Se a mulher no lugar de mártir transformada em heroína toda-poderosa lembra inevitavelmente Tarantino, o showdown de “Rope and Skin” agradará muito a quem quiser identificar uma das possíveis inspirações da cena de “Pulp Fiction” decorrida na cave de Zed (cena essa que obviamente tem muito da violação de “Deliverance”). Quanto mais filmes de acção sujos e obscuros vemos, mais sabemos sobre a composição desse hamburger quádruplo de referências que é “Pulp Fiction”.

7/10