Pale Flower (1964)

Amostra interessante da nova vaga japonesa tem a peculiaridade de ser, ao mesmo tempo, um avant-noir dramático e um bakuto-eiga (filme de apostas). Apesar de não ser de todo comum encontrar estas características num só híbrido, a sobriedade por aqui é mais verificável do que, por exemplo, nos delírios jazzy que Seijun Suzuki filmava por esta altura (meados da década de sessenta).A abordagem de Shinoda é claramente mais séria e “magoada” que a de Suzuki, embora haja em ambos um evidente fascínio pela figura solitária do gangster japonês (yakuza).

Nos dois realizadores existe também uma habilidade natural para desenvolver a vertente mais enigmática dos seus filmes, o que faz com que possam ser vistos várias vezes sem que seja encontrada uma resolução definitiva. Já vi três vezes “Branded to Kill” de Suzuki e teria dificuldade em escrever uma sinopse, quanto mais uma explicação… Esse, tal como “Pale Flower” e tantos outros contemporâneos, são claramente beneficiados e estimulados pelo sentimento de renovação vivido com a chegada das novas vagas aos respectivos países (o efeito no Japão é ainda mais explosivo ao encontrar uma série de autores totalmente destemidos). “Pale Flower” é tão efervescente em ideias como o período em que foi criado, sem nunca perder uma compostura que lhe permite, com um delicado equilíbrio, ser elegante, mágico e fatalista. Quem gostar de uma história de amor impossível pode talvez encontrar por aqui um dos seus filmes de eleição.

7/10