Gymkata (1985)

Normalmente guardo para ver com amigos os filmes involuntariamente capazes de fazer rir. Parecem-me à partida experiências mais divertidas com uns quantos bitaites e uma Super Bock à mistura. “Gymkata” estava reservado para uma dessas sessões, mas tê-lo visto por aí numa lista em terceiro lugar deixou-me demasiado curioso para esperar mais. E a verdade é que “Gymkata” mereceu toda a urgência: é um daqueles filmes de artes marciais que parece ter pimenta no sangue e por isso mesmo não tem paramento. É possível apontar-lhe mil defeitos, contudo “Gymkata” é tudo excepto um filme aborrecido. Ou pelo menos assim será para quem tiver interesse em acompanhar as aventuras de um super-ginasta que tem por missão deslocar-se a um país estranhíssimo (o Parmistão, onde ninguém tem mais que dois dentes), de modo a vencer uma prova ancestral (“O Jogo”) de que ninguém sai vitorioso há mais de 900 anos. Tudo isto para ter direito a um desejo garantido pelo Khan desse país (interpretado por um Burt Kartalian que aqui parece uma mistura de Rocha, do “Duarte & Ca.”, com Mel Brooks). O tal desejo concedido serviria para salvar a humanidade ou só mesmo para satisfazer o herói doidinho por se enrolar com a filha do Khan.

Toda esta narrativa de jogo da Konami é montada com a elegância de uma criança de dois anos a unir peças de um puzzle recomendado para maiores de dez. “Gymkata” é fértil em cenas maravilhosamente estúpidas e enquadramentos terríveis (a certa altura a câmara encontra umas cadeiras pela frente), mas nunca desiste de tentar divertir e essa é a energia que o leva até onde pretende. Algumas sequências chegam mesmo a ser hilariantes e sobra pouquíssimo tempo para dar conta de que “Gymkata” não oferece explicações ou diálogos para sustentar o que seja. Há muita porrada e gente a levar pontapés na boca (mesmo quem não é mau também apanha). Não fosse isto suficiente para uma hora e meia bem passada, o filme inclui ainda um final com uma carga atmosférica que só consigo comparar à da cena da mansão no “Eyes Wide Shut”. Por isso e tanto mais merece um 6/10 sujeito a crescer e nunca a diminuir.

6/10