Doomsday (2008)

Por coincidência, estes últimos dias serviram para que me actualizasse nos filmes de cenário apocalíptico provocado pela dispersão de um vírus. Vi primeiro o blockbuster americano “World War Z” (2013) e, por recomendação, fui dar depois ao britânico “Doomsday” (2008). Se o primeiro começa mal e acaba com uma sequência que o salva de ser terrível, o segundo tem um primeiro terço auspicioso e uma conclusão confusa e pouco inspirada (quase como uma equipa que chega ao 3-0 e que, perto do final, sofre 3 golos de rajada, terminando assim com um empate angustiante).

Já que estamos em toada de comparação, há que frisar que “Doomsday” mostra-se, desde cedo, muito mais pronto a entreter que “Z”. Partindo de uma história situada num Reino Unido, que passa a ser desunido ao colocar a Escócia em quarentena (alegoria interessante), “Doomsday” rapidamente se instala no terreno do filme de acção pura e aventura liderado por uma heroína bad ass (Eden Sinclair) – essa que tem por missão procurar o médico que poderá ter a cura para o vírus letal. Com um pelotão bem armado e um estilo de “posh spice má”, a heroína Eden assume inicialmente uma atitude que passa por “matar tudo o que mexe”. Isso ajuda a que, com algum mérito, o arranque de “Doomsday” lembre os infernos sufocantes de “Aliens” e “Starship Troopers”.

O pior é verificar como “Doomsday” entra logo depois em modo um-dó-li-tá, sem saber muito bem se pretende ser o novo “Escape from New York” ou a enésima cópia de “Mad Max” (com a variante destes punks bárbaros gostarem de dançar Fine Young Cannibals). O filme de Neil Marshall cola em si tantos géneros e referências (a vários filmes de série-B), que acaba por ganhar um aspecto de Frankenstein mal tecido e capaz de, em desespero, tentar ser – imagine-se – uma aventura medieval. Quando essa guinada falha por completo (não sem antes vermos Malcolm McDowell em mais um papel de velho mau), “Doomsday” aposta as poucas fichas que lhe restam numa perseguição de carros à “Fast and Furious”, que nada tem a ver com o restante filme e com uma montagem altamente confusa. No meio de tudo isto, ainda acaba por ter alguma graça reparar que uma das músicas de “Doomsday” partilha de muitas semelhanças com uma das mais sonantes de “28 Days Later” (também ele britânico e focado num vírus). Mas a Dry Cola desta vez não consegue mesmo passar por Coca-cola.

3/10