Dono de um imenso valor curioso, o impressionante “Death Line” merece talvez muito mais atenção do que aquela que já recebeu. O que de início até parece ser uma história de mistério contada com uma contenção tipicamente britânica, acaba afinal por se revelar um filme cheio de arrojo e pontuado por momentos experimentais até. Repare-se por exemplo na tremenda eficácia da banda-sonora incidental de Wil Malone ao espicaçar os nervos com sons de batidas cardíacas e ruídos estridentes. Bastaria isso para associar “Death Line” a “Texas Chainsaw Massacre” (estreado dois anos mais tarde), mas existem muito mais características a ligar os dois. Gary Sherman, tal como Tobe Hooper (ambos em início de carreira), estabelece um qualquer tipo de empatia entre nós e o seu freak ao sensibilizar-nos para o facto de toda a criatura, por mais aterradora e nojenta que seja, sentir necessidade de afecto e de uma ideia de família.
Trata-se de uma noção já bastante explorada na literatura, mas que aqui é revitalizada com óptimos resultados. É fácil sentir repulsa pelo leproso subterrâneo de “Death Line” ou por Leatherface. Muito mais difícil é evitar toda e qualquer compaixão perante ambos, tanto mais quando também eles parecem vítimas do mal e não os seus originadores por vontade própria. “Death Line” sabe bem colocar as suas questões humanas e fá-lo com vários momentos de incrível intensidade (ver os enormes Donald Pleasence e Christopher Lee em esgrima verbal, nem que seja durante quatro minutos apenas, é espectacular). Ao preceder “Texas Chainsaw Massacre” em alguns aspectos, “Death Line” fica de imediato a jeito de uma merecida reavaliação. Foi exibido nas celebrações dos 150 anos do metro de Londres, mesmo sendo o filme para meter medo aos utilizadores desse meio de transporte. Os ingleses são muito fortes.