Brubaker (1980)

Os Estados Unidos – muito por força da sua tradição western – arranjaram quase sempre maneira de colocar os seus mais estimados actores no papel do xerife que varre tudo à sua volta (doa a quem doer). Quando não era o xerife a assumir a missão de corrigir e purificar os ambientes, esse papel pertencia ao forasteiro, ao vigilante, ao provedor, ao advogado, etc.. Todos eles representam desdobramentos do típico justiceiro norte-americano que o público tende muito a admirar. É por isso mais que natural que um desses papéis caísse aos pés de Robert Redford em determinado momento da sua carreira. O momento em que isso sucede chama-se “Brubaker” e chega até nós em 1980, com todo um intuito político que ainda vem da década de setenta.

“Brubaker” conhece um arranque bastante entusiasmante e joga o seu twist com um bom timing, mas trata-se claramente de um filme maioritariamente concebido para elevar o perfil de Robert Redford e colocá-lo na galeria dos grandes justiceiros americanos. Isso traz algum aborrecimento à sua segunda metade, embora seja impossível desistir a meio deste filme-causa. Além disso, Robert Redford é um actor muito capaz, mas não é certamente um Paul Newman. Longe de ser essencial, “Brubaker” cultiva contudo uma série de ideias que viriam a ser bem reaproveitadas em filmes tão adorados como “Road House” ou “The Shawshank Redemption”. Tem também um daqueles finais que praticamente implora por ter um Óscar nas mãos (foi nomeado para Melhor Argumento Original e nem isso ganhou).

6/10