Bad Boy Bubby (1993)

Um tearjerker punk?! Parece uma impossibilidade até ao momento em que se materializa em “Bad Boy Bubby”, que, apesar de alguns trejeitos arty irritantes, é um filme cheio de coração. A forma como o realizador Rolf de Heer consegue transmitir esta sua mensagem sobre o amor puro, tantas vezes recorrendo a cenas que fariam vomitar um público frágil, será porventura um dos grandes mistérios do filme australiano. Porém quem resistir às várias provas de “Bad Boy Buddy” (que deve ter esvaziado umas quantas salas de cinema) acabará talvez por ser recompensado com um sólido conjunto de sequências tocantes e memoráveis.

Em diferentes momentos o filme conduz os seus índices de dramatismo até perto do insuportável, mas esta é uma história (um conto, vá lá) que dificilmente dispensaria esses exageros. Depois de nos sincronizar com a vida aos trambolhões de Bubby, quase como Bresson nos faz acompanhar e não mais abandonar o burro de “Au Hasard Balthazar”, Rolf de Heer tem-nos nas mãos para o que bem entende. E o que o holandês entende é precisamente convencer-nos de que é possível erguer um comovente drama punk aliando o sublime ao asqueroso. Este “Bad Boy Bubby” tem por isso tudo para aos poucos conquistar o seu público.

8/10