Alambrista! (1977)

Longe de ser um realizador amplamente reconhecido, Robert M. Young tem, em 1977, dois filmes profundamente humanos, em que a abordagem é muito mais sensível do que propriamente panfletária. Um deles é o brilhante “Short Eyes” e o outro é “Alambrista!”. Ambos são exemplos tremendos de uma década de cinema que colocou as pessoas à frente do espectáculo visual, que acabou por se tornar mandatório depois do sucesso de “Star Wars” (do mesmo ano por acaso). E o que “Alambrista!” faz de excepcional é destacar e analisar uma figura que normalmente não passa de uma insignificância nas estatísticas: neste caso um refugiado mexicano à procura de melhores oportunidades em território americano.

Fiel à sua escola de documentarista, Robert M. Young entrelaça ficção e cenários de palpável realidade, sem que, ao que parece, as pessoas “reais” reajam com estranheza à infiltração dos personagens (um pouco como acontecia no igualmente ressonante “On the Bowery”). É óbvio que “Alambrista!” tem um forte teor social e várias situações miseráveis, mas nada disso serve de pretexto para que Robert M. Young recorra à lamechice ou aproveite este seu tema para executar os mais fáceis truques de manipulação. Simplificar desse modo a dura realidade dos refugiados seria, em última instância, mais uma maneira de lhes retirar a dignidade. “Alambrista!” contraria isso mesmo ao ser sobretudo um filme sobre a imensa luta pela prevalência da dignidade (o que o torna bastante pertinente nos dias de hoje). Fica também a nota de que David Mallet, no vídeo de “Let’s Dance” feito para David Bowie, não se acanhou nada de pegar no imaginário de “Alambrista!”.

7/10