“World War Z” arranca com uma vontade cega de ser um imparável filme de catástrofe e acção que, para bem do seu ritmo vertiginoso, suprime qualquer necessidade de nos dar a conhecer os personagens por quem devíamos temer (ou não). Isso leva a que, em poucos minutos, “Z” se decida por nos apresentar ao fim do mundo (carros a voar, explosões, zombies), mesmo antes de ficarmos a conhecer qualquer uma das pessoas que possam vir a sofrer com isso. Entretanto ficamos a saber que é um vírus o culpado por toda a barafunda e que Brad Pitt interpreta uma espécie de John Rambo das Nações Unidas obrigado a interromper o seu retiro para salvar o mundo. O cabelo e a pinta de surfista espiritual de Gerry Lane (Brad Pitt) fazem no entanto crer que ele preferiria estar a caminho de Bells Beach para surfar a onda do milénio. Contudo o azar dita que o senhor Lane entre em modo Willy Fog numa viagem pela Coreia (não sei qual e isso agora pouco importa), Israel e outro sítio onde aterra de emergência com um pedaço de metal encravado nos abdominais.
Tão longa viagem vai dando lugar a uns quantos diálogos disparatados (aquele com David Morse lembra-nos de que ele e Brad Pitt haviam já lidado com ameaças globais em “12 Macacos”) e a várias cenas em que zombies são exibidos entre flashes (muitos) e imagens tremidas. É tudo muito frenético, estonteante e capaz de provocar algumas dores de cabeça. Ou assim acontece até “World War Z” ter a brilhante ideia de baixar a mudança de sexta para segunda e salvar-se a si mesmo (e ao mundo) com a sequência de intenso suspense na Ala B do hospital da OMS, naquele que é de longe o melhor momento do filme.
Porém por esta altura o épico de Marc Forster já tinha perdido em toda a escala (narrativa, dramática, etc.) para os bem melhores “28 Weeks Later” e “I Am Legend”, que de certa forma se encontram misturados no DNA de “Z”. Mais difícil é perdoar os defeitos de “World War Z” quando se trata de um filme sem um pingo de humor (isso é doloroso, acreditem). Acho que só estive perto de rir quando Brad Pitt aparenta quebrar a quarta parede (a que separa o palco da plateia) e pede perdão a um médico por ter desconsiderado o seu sofrimento. Na verdade parece estar a pedir-nos desculpa por ter entrado neste blockbuster bem pobrezinho nas ideias.