Como é que sobrevive um filme erótico sem mais que quatro cenas de sexo e uma batidíssima história de princesa e vagabundo? Colocando todos os holofotes sobre Sherilyn Fenn (célebre pelo papel de Audrey Horne na série “Twin Peaks”) e confiando que existe por aí rebarba suficiente para observá-la durante quase duas horas (com o mullett do super-ganharão Richard Tyson como opção). Naquele que foi o seu primeiro filme, entre muitos eróticos de série-B, Zalman King não se importa nada de explorar a sensualidade vulcânica de Sherilyn Fenn quase até ao ponto da escravidão. Repare-se que essa opção nem sequer surpreende assim tanto num filme com zero pretensões artísticas. Confortável na sua função de compensar um total vazio cerebral através de imagens de lindos corpos, “Two Moon Junction” acaba por ser irresistivelmente terrível e portador de umas quantas analogias sexuais (o carrossel, a mota) tão capazes de levar à psicanálise como ao riso. Merecia um 5, mas passa a 6 só por causa da banda-sonora cheia de solos de guitarra e saxofones sexy. Se for visto com amigos, pode até ser uma experiência para melhor nota.