Black Moon (1975)

É sabido que a década de setenta é fértil naquele tipo de cinema em que tudo pode acontecer. Esse mesmo um cinema que é tantas vezes deliberadamente mágico, livre e sugestivo, e nem tanto linear, cheio de explicações e imediatamente assimilável. Estreado em 1975, “Black Moon” traz nas asas toda essa liberdade própria dos anos setenta e atreve-se a ser, ao mesmo tempo, híper-alegórico, onírico e próximo da história de “Alice no País das Maravilhas”. Quase psicadélico. Assume portanto o risco de ser muita coisa em simultâneo e descontrola-se até um pouco nessa ambição. Um filme não deve ser criticado por sonhar alto e pretender levar consigo as pessoas para um universo altamente peculiar (como é definitivamente este), mas sinto que fiquei fora da trip que é provavelmente essencial para apreciar “Black Moon”. O seu início é interessante e tem uns contornos apocalípticos apreciáveis. O pior é mesmo quando o ambiente profundamente enigmático começa a dar lugar a sequências profundamente chatas (as crianças a cantar ópera, por exemplo, fazem desesperar pelo final). Gostei de “Les Amants” do mesmo realizador, mas aqui acho que Louis Malle esteve um pouco Malle.

3/10