Hands over the city (1963)

Com uma intriga política densa e exigente, mas a seu tempo recompensadora, “Hands over the city” arrasta-nos até ao fundo de uma história de poder e corrupção, e só nos liberta mesmo quando a própria câmara se afasta da cena final, como que a deixar aquelas pessoas entregues aos seus problemas. Até isso acontecer, Francesco Rosi oferece uma lição de cinema fortalecido por um ritmo imparável e imagens de encher os olhos (há uma derrocada – decisiva para a narrativa – que é qualquer coisa de impressionante). “Hands over the city” leva o seu tempo a montar um complexo xadrez político ligado à cidade de Nápoles, mas, assim que as peças entram em movimento, passa a ser impossível travar o filme.

Interessante é também observar como, em 1963, Francesco Rosi tinha já muito bem definida uma noção de cinema social feito de situações fictícias, embora altamente inspiradas pela realidade e retratadas de um modo muito próximo do documental. Ao tornar imensamente credíveis os seus cenários de bastidores políticos,”Hands over the city” prenuncia todo um conjunto de ideias que viriam a ser da maior importância para Robert Altman (“Tanner 88”), Steven Soderbergh (“Traffic”) e até mesmo para a concepção da série “The Wire”. Quem gostar da mistura de ficção e realidade presente em alguns dos referidos, pode muito bem querer ver “Hands over the city”.

7/10